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As civilizações americanas

"Esta cidade é tão grande como Sevilha e Córdoba (ambas na Espanha). As ruas principais são muito largas e retas. A maioria delas é metade de terra e metade de água, por onde andam com canoas (...) Tem muitas praças, onde há contínuos mercados e pontos de compra e venda. Há uma praça tão grande que corresponde a duas vezes a cidade de Salamanca (na Espanha), com pórticos de entrada, onde há cotidianamente mais de 60 mil almas comprando e vendendo. Há todos os gêneros de mercadorias que se conhecem na Terra, desde joias de ouro, prata e cobre, até galinhas, pombas e papagaios. (...) Há no centro da praça uma casa de audiências , onde estão sempre reunidos 10 ou 12 juízes para julgar as questões decorrentes de desacertos nas compras e vendas." CORTÉS, HERNÁN. A conquista do México.

Você sabe qual é a cidade descrita por Hernán Cortés, o autor desse texto escrito em 1519? Não é Veneza, na Península Itálica, apesar da referência às ruas percorridas por canoas. Não é, aliás, nenhuma cidade da Europa. Essa cidade já não existe mais.Chamava-se Tenochtitlán e ficava na área onde hoje está a Cidade do México, a capital mexicana.

Tenochtitlán era uma das expressões do esplendor arquitetônico da sociedade asteca, uma das grandes civilizações da América anteriores à chegada dos europeus. Mas, então, por que se diz que Cristóvão Colombo "descobriu" a América em 1492 e Pedro Álvares Cabral "descobriu" o Brasil em 1500? A chegada dos europeus à América foi chamada de "descobrimento" porque esse era o ponto de vista dos europeus. Afinal, para eles as terras americanas eram desconhecidas. Mas, como mostra a carta de Cortés, a América não estava despovoada. Ao contrário, era habitada de norte a sul desde muito antes de os europeus a conquistarem e lhe darem o nome de América.

Nos primeiros contatos com os povos nativos os europeus chamaram os habitantes das terras americanas de "índios", acreditando que haviam chegado às Índias, para onde iam muitas expedições marítimas em busca de produtos de valor comercial.

Mas os habitantes da América não eram iguais entre si. Em alguns casos, eles se organizavam em comunidades pequenas e isoladas. Em outros, formavam sociedades complexas, com instituições políticas sólidas, divisão do trabalho e centros administrativos urbanos, onde foram erguidas construções monumentais.
O que você já sabe sobre as civilizações americanas anteriores à chegada dos europeus?

Segundo Hernán Cortés, no texto que você acabou de ler, havia comércio na cidade asteca de Tenochtitlán? Cite frases do texto que confirmem sua resposta.

Que outros povos pré – colombianos, além dos astecas, você saberia citar?

Na sua opinião, por que os espanhóis, após vencerem os astecas, ergueram a Cidade do México sobre as ruínas de Tenochtitlán?

Em busca dos primeiros americanos

Não se sabe ao certo quando a América foi ocupada pelo ser humano . Arqueógos já encontraram vestígios humanos no continente desde pelo menos, 14 mil anos atrás. Outros especialistas, como a arqueóloga brasileira Niéde Guidon, afirmam que essa presença data de aproximadamente 45 anos atrás.

Apesar dessas incertezas, é possível afirmar que os primeiros grupos humanos na América eram nômades, caçadores e coletores. A sedentarização foi um processo longo: as primeiras marcas de plantio datam de cerca de 8 mil anos atrás. Elas se encontram na atuais terras do México e dos Andes peruanos e indiam o cultivo de abóbora, feijão, tomate, pimentão, milho, batata-doce e mandioca. Com o tempo, os assentamentos humanos cresceram e deram origem às primeiras cidades na América.

Os olmecas

Um dos primeiros povos pré-colombianos a ter uma organização social complexa, os olmecas estabeleceram-se na região do Golfo do México, na Mesoamérica, por volta do século XII a.C. e lá se mantiveram por pelo menos oito séculos. A região tinha água abundante, o que facilitava o plantio de alimentos, como milho, abóbora, feijão e algumas pimentas. A caça e a pesca contribuíram para ampliar as fontes alimentares.

Os olmecas criaram as primeiras formas americanas de escrita e uma calendário. Monumentos funerários, centros cerimoniais e esculturas sugerem que eles viviam numa sociedade com alguma diferenciação social e que a religião tinha papel predominante. Também foram encontradas grandes praças públicas, o que pode indicar que suas cerimônias religiosas eram realizadas ao ar livre.

Por volta do século IV A.C., a população olmeca descresceu bastante. Não se sabe ainda o que provocou o declínio dessa sociedade, mas podem ter sido mudanças ambientais, que afetaram a agricultura, ou guerras com os povos vizinhos, que causaram muitas mortes e perdas territoriais.


- Vlademir Manjon 08/2019 - Rev. 0.70 -